Sindrome de Wallenberg

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Sindrome de Wallenberg

 As doenças cardiovasculares acarretam taxas de mortalidade proporcionais a 32,3%, constituindo as principais causas de óbito. Este grupo é liderado pela doença cerebrovascular (DCV), responsável por um terço das mortes (BRASIL, 2013). Um acidente vascular encefálico refere-se a uma síndrome clínica de um déficit neurológico focal desenvolvido rapidamente que não se deve à crise convulsiva. Se a causa é a falta de suprimento sanguíneo ou sua redução para uma porção do encéfalo, então admite-se o termo acidente vascular isquêmico. Os défices apresentados após o acidente incluem deficiência nas funções motoras, sensitivas, mentais, perceptivas e da linguagem, dependendo da localização da artéria acometida, da extensão da lesão e da disponibilidade de fluxo colateral.

A síndrome de Wallenberg pode ser caracterizada como parte das síndromes isquêmicas vertebrobasilares laterais e constitui o protótipo das síndromes que afetam os núcleos dos pares cranianos IX e X. A síndrome descrita por Wallenberg em 1985 vale-se de um conjunto sintomático dirigido da obstrução das artérias bulbares, originando características fundamentais homolaterais à lesão, cuja principal causa é a oclusão arterial por aterosclerose.

O bulbo se estende a partir de um pouco acima do primeiro par de nervos espinais cervicais até o sulco bulbopontino. A superfície anterior do bulbo está separada da parte basilar do osso occipital e do ápice do dente do áxis pelas meninges e pelos ligamentos occipitoaxiais. Inferiormente, a superfície posterior do bulbo ocupa a incisura da linha mediana entre os hemisférios cerebelares. A irrigação é feita por ramos das artérias vertebral, espinal anterior e posterior, cerebelar inferior posterior e basilar, que entram ao longo da fissura mediana anterior e do sulco mediano posterior (STANDRING, 2010). Vasos que suprem a substância central entram ao longo das radículas dos nervos glossofaríngeo, vago, acessório e hipoglosso. Existe um suprimento adicional via plexo pial a partir das mesmas artérias principais (STANDRING, 2010).

O quadro, de instalação da síndrome bulbar é geralmente súbita e, costuma ocorrer após os 40 anos de idade. As manifestações iniciais caracterizam-se por vertigens, vômitos, soluços, disfagia, disartria, ataxia, dor ou adormecimento numa hemiface e no tronco e membros do lado oposto. Ocasionalmente o doente refere diplopia (SANVITO, 2008). O território bulbar comprometido nos casos de síndrome de Wallenberg, embora anatomicamente de dimensões exíguas, engloba estruturas relacionadas a sistemas funcionais diversos, o que explica a ampla sintomatologia e complexidade das desordens que compõem a síndrome.

Quando completa, constitui-se a síndrome de Wallenberg dos seguintes elementos: do lado da lesão: hemissíndrome cerebelar, paralisia velo-faringo-laríngea (e consequentemente disfagia, alterações da palavra), comprometimento da sensibilidade superficial na hemiface correspondente, sobretudo das formas térmica e dolorosa; do lado oposta a lesão — anestesia dos membros e tronco, com dissociação do tipo siringomiélico. Por influência irritativa de edema ou por extensão maior da lesão, o comprometimento do núcleo do hipoglosso ou dos núcleos do VIII par, especialmente do núcleo vestibular, pode processar-se. Em consequência, síndrome de Wallenberg é frequentemente acompanhada de paresia da hemilíngua, vertigens e nistagmo (JULIAO, 1944).

O substrato anatomopatológico é dado por um infarto lateral do bulbo. Esta área abrange o corpo restiforme, feixe espinotalâmico, raiz descendente do nervo trigêmeo, vias oculossimpáticas, núcleos vestibulares e porção superior do núcleo ambíguo compreendendo o IXº e Xº nervos cranianos.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1.   Brasil, Ministério da Saúde. Programas e projetos: Doenças cardiovasculares. [Atualizado em: 27/2013; Acesso em: 27 de julho 2013]. Disponível em: http://dab.saude.gov.br/portaldab/doencas_cronicas.php.

2.   STANDRING, Susan. GRAYS anatomia. 40. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

3.   SANVITO, Wilson Luiz. Síndromes neurológicas. 3ª ed.  São Paulo: Atheneu, 2008.

4.   LETTI, Nicanor; LANG, Rudolf; GIORDANI, Tito Livio. Hemiplegias velo-faringo-laríngicas. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 25, n. 4, p. 310-315, 1967.

5.   ADRY, Rodrigo Antônio Rocha da Cruz; LINS, Catarina Couras; BRANDÃO, Marcio Cesar de Mello. Síndrome de Wallenberg secundária a aneurisma gigante de artéria vertebral. Arq. bras. neurocir, v. 29, n. 4, 2010.

6.   BILHERI, Diego Fernando Dorneles; MANCOPES, Renata; ALMEIDA, Sheila Tamanini de. Disfagia orofaríngea na Síndrome de Wallenberg-série de casos. Rev. CEFAC, v. 18, n. 3, p. 721-726, 2016.

7.   JULIAO, Oswaldo Freitas; MELARAGNO FILHO, Roberto. Síndrome de Wallenberg a propósito de três casos. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 2, n. 4, p. 439-457, 1944.

 

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