Traumatismo em Região Cervical por Arma de Fogo com Lesão da Artéria Subclávia

há 1 ano     -     
Traumatismo em Região Cervical por Arma de Fogo com Lesão da Artéria Subclávia

Cangue LCR1, Orsini CP1, Augusto LR1

1Acadêmicos de Medicina do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH)

 

Contato: lauracangue-@hotmail.com; (31) 98357-9497

 

Introdução: O trauma vascular é a segunda causa de morbimortalidade no mundo.  O grupo de maior risco são homens adultos jovens, o que está relacionado à maior exposição a situações de violência. O traumatismo da região cervical destaca-se por sua alta complexidade, conferindo grande relevância no atendimento nos serviços de emergência. O trauma cervical pode ser dividido com base na profundidade da lesão, em sua localização ântero-posterior e céfalo-caudal, além disso, o quadro clínico de pacientes pode variar conforme o tipo de agente etiológico (faca,projétil de arma de fogo, acidentes, entre outros), e as estruturas atingidas. Esse, é caracterizado por destruição dos vasos sanguíneos que nutrem importantes áreas do organismo, com consequente perda do suprimento de oxigênio para os tecidos, carreado pelo sangue, podendo levar à morte. Objetivos: Relatar caso de vítima de trauma vascular penetrante na artéria subclávia e discutir a gravidade desse tipo trauma que pode desencadear efeitos potencialmente letais, como hemotórax associado a lesões de vasos subclávios. Relato do caso: Paciente masculino, 24 anos, com ferimento por arma de fogo (FAV) em região cervical anterior, zona dois. Admitido chocado no hospital , sendo transportado por TOT(tubo oro traqueal) após atendimento primário. Deu entrada com PAS> 90, taquicárdico, sedado. Realizou TC de pescoço e tórax, com falha em bifurcação de tronco braquiocefálico, contusão em ápice, hemotórax, grande hematoma cervical com desvio de VA, alargamento de mediastino superior. Encaminhado ao bloco para exploração cervical e esternotomia. Foi submetido imediatamente a esternotomia longitudinal pela cirurgia geral e identificação hematoma na zona I cervical à direita. Realizado reconstrução da artéria subclávia por meio da interposição de prótese de ptfe(politetrafluoretileno) de 7mm pela cirurgia vascular. Recebeu 1500ml de CH(concentrado de hemácias), 1000ml PFC(plasma fresco congelado), 8ui criopreciptado, 7500ml de cristaloide, 2 ampolas de gluconato de cálcio. Iniciou procedimento com noradrenalina 40ml/h, chegando a 110ml/h ao fim do procedimento. Apresentou 1000 ml de diurese. Recebeu clavulin para a profilaxia cirúrgica. Admitido no CTI em POi, chocado, em uso de noradrenalina 110ml/h. FC:146bpm, PA 122 X 58(80), com 2 drenos de tórax à direita e 1 a esquerda, PIA em ARE, CVC em VFD. Última gasometria com pH 7,2, pCO2 45 mmHg, pO2 141 mmHg, Hb 8,6; Lac 9.9. No pós operatório, foram realizados Rx do tórax apresentando melhora da atelectasia, e ausência de hidropneumotórax, porém paciente mantém quadro geral grave em CTI, houve melhora hemodinâmica após infusão de hemoderivadeos ,a conduta médica se manteve na realização de cuidados intensivos. Discussão: Traumas penetrantes frequentemente estão associados a lesões vasculares. Os ferimentos por arma de fogo (FAV), geralmente acometem o abdômen e membros inferiores, mas quando acometem o tórax, apresentam alta gravidade, podendo levar ao óbito. Traumas  na zona II da região cervical, pode atingir diversas estruturas anatômicas.

Dentre elas destacam-se:  artérias carótidas, veias jugulares e vertebrais, traqueia proximal, faringe e laringe, artéria subclávia, nervo recorrente, nervo vago e medula espinhal. Quando é diagnosticada lesão da artéria subclávia, espera-se que a cirurgia ocorra rapidamente, no intuito de evitar a perda de sustentação dos tecidos circunvizinhos e de minimizar o sangramento, uma vez que não é fácil realizar o controle dessa artéria, devido às relações anatômicas existentes na região de localização desse vaso. Isso justifica a alta taxa de mortalidade de traumas que envolvem essas estruturas. Ademais, a artéria subclávia é a principal responsável pela vascularização do membro superior, portanto a realização de cirurgia vascular é indicada na maioria dos casos, a fim de promover a revascularização. Considerações finais: O caso apresentado reforça a relevância do rápido atendimento seguido de cirurgia imediata, logo após a realização dos primeiros exames e do diagnóstico de traumatismo vascular. Levando em consideração o caso clínico relatado, essa conduta médica deve ocorrer no intuito de possibilitar reconstrução da artéria subclávia, e a revascularização do membro superior, a fim de evitar complicações,  como a isquemia, ou até mesmo o óbito do paciente.

 

 

 

Palavras-chave: traumatismo vascular, ferimento penetrante, revascularização do membro superior, lesão da artéria subclávia.

 

 


Referências:

 

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