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Uma nova maneira de se ver o Mal do Século: O novo contexto da diabetes | Colunistas

há 3 semanas     -     
Uma nova maneira de se ver o Mal do Século: O novo contexto da diabetes | Colunistas

Uma nova maneira de se ver o Mal do Século: O novo contexto da diabetes.
 
É de conhecimento comum da comunidade médica que a diabetes, síndrome metabólica decorrente pela falta de insulina ou devido a incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus efeitos, o que leva a um aumento da glicose no sangue, atualmente ganhou status de “mal do século”. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 180 milhões de diagnosticados, sendo que apenas no Brasil, a quarta nação com o maior número de diabéticos no mundo, existem cerca de 14 milhões de pessoas que obtiveram um quadro marcado por hiperglicemia.
 
No entanto, cerca de metade destes brasileiros nunca obteve um diagnóstico confirmado pela diabetes e vive normalmente como se nada tivesse acontecido, mesmo que o diagnóstico, que se dá pelo exame de sangue, seja algo incrivelmente simples. Resultados superiores a 100 miligramas por decilitro (mg/dl) após jejum de oito horas já preocupam e se ultrapassam os 126 mg/dl, o diabetes está praticamente confirmado. É necessário confirmar os achados por outros métodos, como o teste de tolerância à glicose e a hemoglobina glicada, uma média dessas taxas nos últimos três meses.
 
A partir do momento em que ela é detectada, o médico prescreve remédios e propõe mudanças no estilo de vida, com a intenção de manter a glicose em níveis adequados. Para acompanhar e corrigir prováveis desvios de rota, é importante vigiar de perto as alterações do açúcar e isso geralmente é realizado por meio de um furo na ponta do dedo e uma gota de sangue, os monitores de glicose.
Algumas empresas especializadas em tecnologia, serviços de saúde, investidores e até mesmo pacientes esperam encontrar na tecnologia e em mudanças básicas na rotina diária mudem o quadro clínico de muitos dos 180 milhões de afetados por essa epidemia que se tornou extremamente cara aos cofres públicos.
 
Existem hoje algumas tecnologias inovadoras no tratamento do paciente diabético, seja em itens high-tech de uso pessoal e apps de monitoramento, até mesmo aos programas de apoio a luta diabética. O Google revelou um projeto ainda em fase de testes para humanos, de lentes de contato inteligentes cujo objetivo seria de analisar níveis de glicose nas lágrimas por meio de um minúsculo chip wireless e um sensor de glicose em miniatura embutidos entre duas camadas de material de lente de contato. 
 
Outro exemplo pode ser demonstrado pelo por Randy Jackson, um ex-jurado do programa americano American Idol, que foi diagnosticado com diabetes em 1999. Ele se juntou a empresa de bem-estar e saúde digital, Everyday Health, para criar recursos voltados para o consumidor sobre diabetes em uma plataforma chamada “Diabetes Step by Step” (Diabetes passo a passo). Ele também tem atuado como porta-voz da campanha “Heart of Diabetes”, do American Heart Association
 
Uma medida altamente eficiente no tratamento diabético, foi melhorar a interface do monitor de glicose, que se tornou mais portátil. Fornecedores como o Gmate, integram um aplicativo e um medidor inteligente que se conecta a entrada de fone do iPhone, e mede e exibe os níveis de glicose no sangue do paciente. O Gmate Smart é compatível com as versões 3GS, 4, 4S e 5 do iPhone, com o iPod Touch da 4ª geração, além do iPad e iPad 2. O usuário “baixa” o aplicativo no iTunes, insere o dispositivo da Gmate e a faixa de coleta, aplica a amostra de sangue e vê os resultados na tela do dispositivo Apple. Além disso, existe o FreeStyle, um novo monitor que elimina a necessidade de o paciente furar o dedo. O equipamento é composto de um pequeno sensor inserido de forma indolor no braço e os sinais do mesmo são captados por um sensor que avalia os níveis de glicose. O aparelho foi considerado promissor no 20º Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes.
 
E como seria esperado, o controle diário dos níveis de açúcar foi motivo da criação de aplicativos para smartphones, os chamados app’s. Existem mais de 1.100 aplicativos, entre iOS e Android, desenvolvidos especialmente para diabéticos, com a capacidade de monitorar insulina, exercícios e ingestão de açúcar, seja através de livro de receitas ou alertas constantes durante o dia-a-dia. O Glooko, por exemplo, permite que o paciente baixe leituras de teste de glicose no smartphone, integre dados de alimentação e estilo de vida e compartilhe essas informações com profissionais médicos. O Glooke também disponibiliza dados relacionados à diabetes e análises para provedores de serviços de saúde e investidores para apoio a pesquisas sobre doença. O Diabetes Pilot registra glicose, insulina e outras medidas, monitora nutrientes ingeridos, inclui um banco de dados de alimentos e permite que o usuário compartilhe os dados com provedores de serviços de saúde. E o GlucoseBuddy, para iOS, permite que usuários registrem refeições, exercícios, níveis de insulina e compartilhe com registros médicos.
 
Além disso, mesmo que no Brasil seu uso seja controverso e promova debates, a telemedicina nos EUA está ajudando os pacientes a economizar tanto dinheiro quanto tempo nos tratamentos. Grandes centros médicos como o North Sunflower, a GE Heathcare, a Intel-GE Care Innovations e a C-Spire formaram o Diabates Telehealth Network – um programa de cuidados remotos de 18 meses para atender regiões com alta porcentagem de pacientes diabéticos. O Centro de Diabetes Joslin, da Universidade de Harvard e a American Well se juntaram para entregar serviços remotos de telemedicina para diabéticos por todo o território norte americano.
 
Em suma, se nota que os fundamentos darwinistas podem ser usados no contexto atual, ou seja, os cuidados de saúde no mundo digital também evoluíram. Os avanços tecnológicos inovadores mudarão de maneira significativa a forma de tratar o paciente que sofre desta condição. 
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