Vivemos no mundo da instantaneidade, do aqui, do agora

há 1 ano     -     
 Vivemos no mundo da instantaneidade, do aqui, do agora

Vivemos no mundo da instantaneidade, do aqui, do agora.
Precisamos das coisas rápidas, eficientes, sem “enrolação”. Não temos mais a capacidade de manter o foco em aulas longas e sem interatividade. Não sabemos lidar com livros, precisamos de resumos, ou esperar pelo filme. Não sabemos lidar com cartas, esperar que elas cheguem, precisamos de mensagem em tempo real: enviada, visualizada, respondida! 
Precisamos dizer tudo o que fazemos, o tempo todo, para todo mundo. 
Nossa escala de felicidade se baseia em quantos “Likes” tivemos. Temos perdido a capacidade de viver o momento, sem postar tudo na internet - temos a foto no lugar, mas não sabemos a experiência de ter estado naquele lugar, naquele momento, com aquelas pessoas. Há fila para tirar foto com a “Monalisa”, mas não há tempo, nem espaço, para apreciá-la. Pois é necessário postar: se não houver compartilhamento, é como se a situação não tivesse existido, independente de ter sido apreciada ou não.
Dividimo-nos em múltiplas tarefas simultâneas, sem conseguir focar em nenhuma delas plenamente. Como, desta forma, seria possível a felicidade? Se não há plenitude em nenhuma situação vivenciada, se tudo fica pela metade?

Além de lidar com isso, há uma cobrança constante, há uma obrigatoriedade em ser feliz, o tempo todo, e principalmente de mostrar toda essa alegria via redes sociais. Não podemos entristecer, “porque a vida é bela, e tem muita gente pior, e você é forte, e estar triste é errado”. Estar triste é estar doente. O fato de não poder entristecer, gera uma angústia e sofrimento ainda maiores, pela culpa de sentir algo que não deveria, algo não permitido e visto com maus olhos. A repressão destes sentimentos, a necessidade de mostrar uma felicidade que muitas vezes é falsa e não corresponde à realidade, pode ser uma das causas da depressão, referida como “Mal do Século” atualmente.

Há de se pensar que talvez intervenções devessem considerar todo um contexto social, e uma mudança nos padrões culturais, a fim de melhorar a sociedade, para desta forma melhorar o indivíduo.

 Abaixo segue link para um vídeo de Sherry Turkle, americana professora do MIT, PhD em Sociologia e Psicologia da Personalidade, falando sobre esse sentimento de solidão, apesar das múltiplas conexões promovidas pela tecnologia. (Legendas em português disponíveis).

https://goo.gl/opri30

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